A Ação: Palavras que Brincam
O projeto Ponto de Cultura PALAVRAS QUE BRINCAM é uma ação desenvolvida pelo EMCANTAR visando a formação cultural em música e literatura na escola, com foco na vivência e criação artísticas. As atividades têm como público-alvo alunos e educadores das escolas públicas estaduais Padre Mário Forestan e Presidente Juscelino Kubistchek, em Uberlândia-MG. A partir de suas vivências nas oficinas, as crianças produzirão textos que serão publicados em livro e no blog do projeto, numa experiência capaz de reunir o desenvolvimento da criatividade, a democratização cultural e a inclusão social, sempre com a perspectiva de encantamento com o mundo que caracteriza o modo de ser do EMCANTAR.

PALAVRAS QUE BRINCAM é uma ação desenvolvida por meio do Programa Cultura Viva/Pontos de Cultura, em convênio com a Secretaria de Estado de Cultura de Minas Gerais e Ministério da Cultura.

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Dica para leitura "O macaco e a velha" de Ricardo Azevedo


O Palavras que Brincam deixa como dica de leitura o texto de Ricardo Azevedo “O macaco e a velha”. O texto foi trabalhado nas oficinas com as crianças que adoraram conhecer o conto e o Autor do mesmo.

O MACACO E A VELHA



Era uma casa em cima do morro. A velha morava lá, na frente tinha jardim e atrás um montão de bananeira. Perto da porta da cozinha ficava uma escada de pegar banana. A escada quebrou. As bananas estavam madurinhas.Um macaco vinha passando e a mulher o chamou:
- Me ajuda a catar?
O macaco disse sim. Trepou pelas folhas, deu um suspiro e desabou a comer tudo quanto foi banana bem bonita.
A velha gritou:
- Safado!
O macaco ria.
- Pilantra!
A mulher ralhava. O macaco só jogava pra velha banana verde ou então fedida, cheia de mosca e mancha preta. Depois o macaco deu até logo e foi embora.
A velha juntou a banana que sobrou, xingando e caraminholando.
Mandou fazer uma boneca grudenta de cera. Botou na porta de casa, junto de uma cesta cheia de banana. E ficou agachada espiando.
Passou um dia. Nada.
Passou outro dia.
No terceiro, o macaco passou e sentiu um cheirinho bom. Veio chegando:
- Ô Catarina! Quero banana...
A boneca nem se mexeu. No céu, um sol de rachar.
O macaco pediu outra vez. A boneca quieta. O macaco falou grosso:
- Me dá uma banana, ô Catarina, senão leva um tapa.
A boneca nada e ele - pá - deu e ficou com a mão colada no beiço da moça de cera.
- Larga minha mão senão leva um beliscão!
A boneca nem ligou. O macaco deu e ficou com a outra mão presa.
- Me solta, ô Catarina! Me solta senão toma um chute!
Esperou que esperou. Meteu o pé e ficou mais grudado ainda.
- Diaba! Moleca! Me larga, ô Catarina! - berrou o macaco preparando outro pé.
Chegou a velha arregaçando os dentes:
- Agora você me paga!
Levou o macaco lá dentro e mandou a cozinheira preparar o coitado pra comer na janta.
A empregada foi e fez.
Na hora de matar, o macaco revirou os olhos e cantou:
Me mata devagar
Que dói, dói, dói
Eu também tenho filhos
Que dói, dói, dói
Na hora de esfolar, o macaco cantou:
Me esfola devagar
Que dói, dói, dói
Eu também tenho filhos
Que dói, dói, dói

Na hora de temperar, o macaco cantou:
Me tempera devagar
Que dói, dói, dói
Eu também tenho filhos
Que dói, dói, dói
Na hora de assar, o macaco cantou:
Me assa devagar
Que dói, dói, dói
Eu também tenho filhos
Que dói, dói, dói
A cozinheira serviu o macaco num prato enfeitado com arroz, feijão-preto, couve, farofa e mandioca frita.
A velha estalou a língua, sorriu, cortou um pedaço e mordeu.
Na hora de mastigar, o macaco cantou:
Mastiga devagar
Que dói, dói, dói
Eu também tenho filhos
Que dói, dói, dói
A velha estranhou, apertou os olhos mas comeu tudinho. Foi quando deu uma dor de barriga daquelas, pior que rebuliço nas tripas. A mulher levantou, sentou, andou prá lá e prá cá. Não teve jeito, era o macaco pedindo:
- Quero sair.
A velha respondeu:
- Sai pelas orelhas.
- Não posso não, que tem cera - gritou o macaco - Quero sair!
A barriga da mulher doía.
- Sai pelo nariz.
- Tá assim de gosma. Quero sair!
A barriga roncava cada vez mais.
- Sai pela boca.
- Pela boca tem cuspe. Quero sair!
Aí a velha estufou, estufou e pum!
Foi um estouro que se ouviu lá de longe.
E de dentro dela saiu o macaco e mais um bando de macaquinhos, tudo viola, dançando e cantando:
Eu vi a bunda da velha iá, iá
Eu vi a bunda da velha iô, iô


Azevedo, Ricardo. Histórias que o povo conta. São Paulo: Editora Ática, 2002. p. 26-30

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

As férias acabaram e o Palavras que Brincam está de volta.

As oficinas do projeto Palavras que Brincam voltaram a todo vapor. Para iniciar as oficineiras do projeto apresentaram às crianças mais uma música que irá compor o repertório da apresentação artística.
As crianças mostraram-se bastante animadas, trazendo ideias para a criação de arranjos percussivos e coreografia para a música, afinal serão eles os protagonistas do espetáculo.

Também foi proposto que os participantes escrevessem novas histórias para o livro do projeto que será publicado no fim do ano.



quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Projeto Palavras que Brincam traz novidades de Diamantina

44º Festival de Inverno possibilitou diálogos entre Pontos de Cultura de várias cidades mineiras, incluindo Uberlândia
Aconteceu entre os dias 15 e 26 de julho em Diamantina (MG), o 44º Festival de Inverno, realizado pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). O evento, que teve neste ano como tema "O Bem Comum", contou com a participação de moradores de Diamantina, convidados especiais, proponentes de grupos diversos, produtores e gestores culturais, além de disseminadores e receptores de conhecimento.
Na oportunidade, aconteceu um encontro dos Pontos de Cultura de Minas Gerais, que teve a participação de várias cidades mineiras, incluindo Uberlândia. O encontro dos Pontos de Cultura foi uma oportunidade para discutir os rumos do programa Cultura Viva, as dificuldades enfrentadas em cada região de Minas e ainda trocar ideias e produtos culturais. Foram realizadas três reuniões para discutir especificidades e o futuro dos Pontos de Cultura pós-finalização do convênio, e a realização da Teia Estadual no primeiro semestre de 2013. A proposta que começou a ser discutida durante o festival será compartilhada na rede virtual dos Pontos de Cultura e, assim que for validada entre os Pontos, será apresentada à Secretaria Estadual de Cultura.
Representando Uberlândia
O Ponto de Cultura Palavras que Brincam: Música e Literatura na Escola - realizado em Uberlândia (MG) pela Associação EMCANTAR, por meio do convênio com a Secretaria Estadual de Cultura de Minas Gerais e do Mistério da Cultura, foi um dos 33 Pontos de Cultura selecionado para participar do Festival. Nos 10 dias em que participaram do Festival, as representantes do Palavras que Brincam, Ana Lopez e Ana Paula Rabelo, se envolveram em diversos trabalhos em casas temáticas espalhadas pela cidade.
Ana Paula Rabelo, que é Coordenadora Geral do EMCANTAR, participou da "Casa da Cidade", localizada no bairro do Rio Grande. Os participantes desta casa foram estimulados a intervir no cotidiano dos moradores, na maioria deles, pessoas que vivem à margem do circuito turístico e cultural de Diamantina. A proposta foi transformar um espaço doméstico em um ponto de convergência de pessoas e ideias.
Segundo Ana Rabelo, o festival proporcionou uma série de possibilidades para se pensar um Brasil diferente. "Queremos um Brasil que acolha, valorize e potencialize a riqueza do seu povo. A proposta inovadora do festival, de romper com o paradigma do "mestre-doutor que oferece uma oficina para um grupo selecionado de pessoas aptas e interessadas", e propor um formato que abarca toda a comunidade, acabou por dar voz aos que estão sempre "à margem" do contexto social e proporcionou um encontro, a princípio difícil, mas que se mostrou ser um caminho possível de convivência e construção coletiva de saberes e práticas que visam o "Bem Comum", comenta Ana.
Na Casa da Palavra, localizada no bairro periférico Palha, na qual foi inscrita a oficineira do Palavras que Brincam, Ana Lopez, os participantes do grupo Comunicação Popular e Intervenções Urbanas tiveram como objetivo explorar os processos populares de expressão. Uma das propostas de intervenção escolhida pelo grupo foi a de divulgação do Banquete Público, uma atividade realizada pela Associação das Mulheres Reais, localizada próxima ao bairro da Palha. As formas escolhidas para a divulgação foram: caminho poético com lambe-lambes e textos; caminhada artística com instrumentos alternativos e megafone e o biscoito da sorte contendo um pequeno convite com as informações do evento.
Além das atividades realizadas nas Casas, o festival também proporcionou uma rica programação cultural e artística, mesclando artistas de renome nacional: André Abujamra, Naná Vasconcelos, Lui Coimbra e Zezé Mota, a novos artistas: Graveola e Lixo Polifônico, grupos selecionados pelo edital Música Minas e grupos locais. Apresentaram-se também grupos tradicionais como as comunidades indígenas do centro-oeste brasileiro que, com seus cantos, ritos e uma vasta produção audiovisual, compartilharam um Brasil ainda desconhecido pela maioria dos brasileiros. Além disso, vários grupos de origem africana também compartilharam saberes e crenças por meio de oficinas, cantos, ritmos e filmes.

Mais informações, acesse:
https://festivalufmg.wordpress.com/
http://www.emcantar.org/